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De Fabiano a Fabuloso: trajetória de sucesso na Ponte e contra a Ponte

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Luis Fabiano Clemente, atacante de 33 anos, nascido em Campinas, com passagem por cinco clubes, camisa 9 da seleção em 2010, na África do Sul, e duas paixões: Ponte Preta e São Paulo. Exatamente os clubes que se enfrentam na noite desta quarta-feira, às 21h50 (de Brasília), no Romildão, em Mogi Mirim, por uma vaga na final da Copa Sul-Americana. Coração dividido? Não para o atual atacante do Tricolor, que está em desvantagem após perder o duelo de ida, por 3 a 1, no Morumbi, na última semana.

– A gente tem um carinho muito grande pela Ponte Preta, mas defende as cores do São Paulo – diz Luis Fabiano, que no passado comparou a sensação de marcar gol na Macaca como “bater na mãe”, pela história em Campinas.

Antes de iniciar sua trajetória no Moisés Lucarelli, porém, Fabiano – como era conhecido na época – vestiu o verde do rival Guarani. A passagem dele pelo Bugre durou somente um ano por conta da indisciplina. Então treinador da base bugrina, Lígio de Carvalho lembra que teve que dispensar o garoto de 13 anos por conta das constantes faltas aos treinamentos.

– O Luis chegou lá de 12 para 13 anos e era um menino muito quieto. Ele faltava muito nos treinos. Chegamos a uma conclusão que tínhamos que dar espaço a outro. Por isso fomos obrigados a dispensá-lo – afirmou o treinador.

Fabiano, então, subiu a avenida – expressão usada em Campinas para se referir à distância entre Guarani e Ponte, separados pela Avenida Ayrton Senna. E se deu bem. Em dois anos de Macaca (1998 a 2000), o atacante atuou em 70 jogos e marcou 26 gols. Média de 0,37 gol por jogo.

Pela Alvinegra, foi o artilheiro na campanha do vice-campeonato da Série A-2 do Paulista de 99, que valeu o retorno do clube à primeira divisão. Fabiano fez dez gols no torneio. No mesmo ano, pelo Brasileirão, o atacante praticamente não jogou em razão de uma lesão e seu único gol foi marcado justamente contra o São Paulo, na derrota por 3 a 2, no Majestoso, em duelo marcado pela polêmica envolvendo o ex-árbitro Alfredo Loebeling.

Aos 19 anos ele foi vendido ao modesto Rennes, da França, por R$ 13 milhões – o valor incluiu a venda do meia Vânder, que foi quem mais chamou atenção dos franceses. Após uma temporada sem  chances, o atacante foi emprestado ao São Paulo. Foi neste ano que o Fabiano se transformou em Luís Fabiano, graças a presença de um volante xará, genro de Vanderlei Luxemburgo.

 

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BOM RETROSPECTO CONTRA A ‘MÃE’

Artilheiro por onde passou, Luis Fabiano gosta de deixar sua marca também contra a Ponte Preta. Pelo São Paulo, foram sete gols em seis jogos contra a “mãe”. O primeiro aconteceu em 2001, pelo Paulistão. Recém-chegado do Rennes, o atacante deixou sua marca no Moisés Lucarelli. Este, aliás, foi o primeiro – e único – gol dele no estádio sem ser pela Macaca. As outras cinco partidas em que ele marcou contra a Alvinegra foram disputadas no Morumbi. A principal atuação contra a Macaca aconteceu em 31 de outubro de 2002, quando balançou as redes duas vezes na goleada tricolor por 5 a 2, pelo Brasileirão.

Apesar de gostar de fazer gols contra a Ponte Preta, Luis Fabiano deixou amigos no clube em sua passagem pela base e profissional. Adrianinho, também integrante do atual elenco alvinegro, lembra dos encontros dos tempos de juvenil, quando dividiam a concentração. A amizade permanece, mesmo com o pouco tempo disponível para encontros por conta dos jogos.

– Nós jogamos muito tempo juntos, desde o juvenil, depois no profissional. A gente era muito amigo, até porque nas categorias de base a gente tende a ficar mais amigo mesmo. A amizade se estende até hoje. De vez em quando a gente se encontra, mas é mais nos jogos mesmo – disse Adrianinho.

No clube desde o final da década de 90, o fisioterapeuta Eduardo Bassi rasgou elogios ao jovem talento da época, principalmente pelo respeito que ele tinha com os funcionários da Ponte Preta.

– O Luis Fabiano era muito jovem na época. Tinha acabado de subir para o profissional. Sempre foi uma pessoa ótima, muito gente boa, um pouco marrento para quem não conhece ele, mas é uma pessoa excepcional – afirmou Bassi.

MARRENTO DESDE SEMPRE

Luís Fabiano mudou muito desde os tempos de Ponte Preta, não somente no nome, mas em relação à fama – por ter atuado em clubes de maior relevância no cenário nacional e internacional. O rótulo de marrento, porém, ainda é dele. E isso vem desde os tempos das categorias de base da Macaca. Bassi lembra que o atacante nunca gostou de perder, que queria sempre vencer e, por isso, manteve essa valentia.

– Ele sempre foi marrento, briguento, conheço ele desde o juvenil, mas é um cara fantástico. Sempre que vem aqui nos cumprimenta, vem falar com a gente. Minha relação com ele sempre foi muito boa. A gente só fica bravo quando jogamos contra e ele faz gols na gente, mas a gente sabe que é a função dele. A gente sabe a consideração que ele tem pela gente – comentou Bassi.

Ídolo da Macaca, Adrianinho confirma a tese do fisioterapeuta e diz que Luis Fabiano sempre foi bastante desconfiado em relação a tudo que o cercava na época de Ponte.

– Ele era bem mais marrento e polêmico do que é hoje. Ele sempre foi muito fechado, desconfiado, ele não dá abertura para as pessoas. Se aproximar dele é difícil, devido a algumas coisas que ele passou na vida, mas tem um coração gigante – apontou o meia da Ponte

ARTILHEIRO NO SACRIFÍCIO

Mesmo marrento, o espírito de competitividade sempre acompanhou Luis Fabiano. Com o jovem atleta não tinha essa de ficar fora do jogo por conta de qualquer dor. Eduardo Bassi lembra que, na reta decisiva da Série A-2 de 99, o atacante se propôs a entrar em campo mesmo com o pé fraturado. Foi para o sacrifício e colaborou com o acesso da Macaca à elite estadual.

– Tem uma história curiosa. Quando nós estávamos disputando a reta final da Série A-2 de 1999 e ele estava com uma fratura no pé. Então a gente trabalhava muito com fisioterapia, para que ele pudesse jogar no final de semana, mesmo com a fratura. Ele entendeu isso, que ele era importante, e topou se sacrificar. Ele jogou com o pé fraturado uns três ou quatro jogos e nós subimos.

Adrianinho também lembra de uma história curiosa, mas que poderia ter acabado bem pior para Luís Fabiano. Ainda em teste pela Macaca, o jovem atleta “roubou” o lugar no ônibus reservado para Alexandre Negri, goleiro que também estava em início de carreira e atualmente defende o AEK Larnaca, do Chipre.

– No primeiro dia que ele chegou aqui para fazer um teste, a gente estava no ônibus e ele sentou no lugar do goleiro, que era o Alexandre Negri. Aí ele ficou tentando tirar o Luis do lugar durante a viagem inteira, mas não conseguiu. Quando chegamos no treino, teve um cruzamento na área e o Negri saiu do gol e deu um soco no Luis Fabiano, só para se vingar por ele ter sentado no lugar errado – contou Adrianinho.

 

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