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Herói tricolor, Luan foi descoberto por pastora em distrito violento de SP

Foi em um chute que tinha rumo despretensioso que Luan anotou o gol que abriu caminho para a conquista do Campeonato Paulista pelo São Paulo —com grande ajuda de Felipe Melo, que desviou a bola sem querer, é verdade.

Um prêmio para um garoto que também não tinha qualquer pretensão de se tornar jogador profissional e apenas jogava bola com os amigos quando foi descoberto.

Luan tinha sete anos, em 2006, quando a pastora Elaine, de uma igreja protestante do Morro Doce, bairro da Zona Oeste de São Paulo, o viu jogar com outros filhos de fiéis.

Ela então avisou Marcelo Félix dos Santos, que organizava os campeonatos para os garotos da congregação, de que ali no bairro havia um talento, um garoto que “jogava muita bola”.

“Na hora que o vi jogando, já falei com a mãe dele e decidi que iria ajudá-lo a se tornar jogador”, diz o hoje empresário do camisa 13 são-paulino, que tinha uma escolinha de futebol na época.

Félix o levou para o Pequeninos do Jóquei, clube que é tradicional celeiro de garotos captados pelo São Paulo Futebol Clube.

Aprovado no Tricolor, Luan subiu de patamar: foi de filho a esperança. Por isso, Dona Luzia, sua mãe, nem queria mais o menino no bairro do Morro Doce, no distrito da Anhanguera, zona oeste de São Paulo, aos fins de semana.

O medo estava nas amizades erradas que ele poderia nutrir por lá. Luzia preferia que o garoto e seu irmão passassem os fins de semana na casa de Félix, de cujos filhos ele se tornara amigo, no Jaraguá.

O Morro Doce é um dos 23 bairros do Anhanguera, subdistrito de Perus. Entre os 96 distritos da capital paulista, o Anhanguera ocupa a 82ª posição no ranking de IDH (índice de desenvolvimento humano), com 0,774. Moema, com 0,961, lidera.

Em 2017, ranking do jornal O Estado de S. Paulo apontou Perus como o 5º distrito com maior incidência de tráfico de drogas, e o 6º em número de homicídios.

Deu certo. Luan evoluiu no São Paulo, subindo de categoria.

Em 2018, ele já era jogador do Sub-20 quando foi avisado por Diego Aguirre, em julho, de que estava relacionado para o clássico contra o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro. Jogo para o qual ele tinha passado a tarde tentando conseguir ingressos.

Naquele mesmo dia, ele estreou, no segundo tempo do jogo, no lugar do lateral Edimar. O São Paulo ganhou por 3 a 1. E a família de Luan ganhou uma nova vida.

Antes de anotar o primeiro gol do título são-paulino neste domingo (23), Luan havia feito apenas um gol em 101 jogos no time. O volante já havia marcado diante do Sporting Cristal (PER), pela primeira rodada do Grupo E da Libertadores deste ano.

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