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Lugano aposta na mística do Uruguai e frisa: ‘Pedra no sapato dos gigantes’

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Em entrevista exclusiva, capitão celeste mostra confiança, tenta explicar irregularidade e reforça paixão pelo São Paulo: ‘A identificação é enorme’

 


Uma seleção que chega ao Brasil desacreditada e tenta dar a volta por cima no mesmo lugar em que conquistou um de seus maiores feitos. Esse é o Uruguai do capitão Diego Lugano. Irregular nas eliminatórias para o Mundial, a Celeste inicia no próximo domingo em Recife a luta pelo título da Copa das Confederações, única taça que falta em sua lotada sala de troféus. E aposta na mística de uma camisa que costuma dar a volta por cima quando ninguém espera para desbancar outras potências mais badaladas como Brasil, Espanha e Itália. Nas palavras do próprio Lugano, o objetivo é claro: continuar sendo a pedra no sapato dos gigantes.

– Isso está na nossa história. Somos a pedra no sapato dos gigantes. Quando ninguém espera nada, a Celeste dá a volta por cima e surpreende – frisou o zagueiro em entrevista exclusiva ao GLOBOESPORTE.COM, por telefone.

A “pedra no sapato” se fez presente em várias ocasiões. Foi assim na Copa do Mundo de 1950, ao derrotar o Brasil em pleno Maracanã e conquistar o bicampeonato. Mais recentemente também no Mundial de 2010, quando o Uruguai eliminou a França na fase de grupos e terminou em uma inesperada quarta colocação. Ou então na última Copa América, quando levantou seu terceiro título em solo argentino.

Nesta conversa de mais de 30 minutos, Lugano esbanjou toda sua simpatia e confiança em uma boa campanha do Uruguai na Copa das Confederações. Mas também falou sério. Com 72 jogos – a maioria como capitão – e oito gols pela seleção, ele assumiu não conseguir explicar a irregularidade da equipe nos últimos meses que já coloca em risco a participação na Copa de 2014 (Atualmente a Celeste ocupa a quinta colocação nas eliminatórias sul-americanas). Sem meias palavras, o camisa 2 admitiu que um novo ‘Maracanazo’ é difícil, não mostrou medo de enfrentar a atual campeã mundial Espanha logo na estreia, ressaltou sua responsabilidade como capitão neste momento complicado, disse que só vai pensar em aposentadoria após o próximo Mundial e voltou a reforçar toda a sua paixão pelo São Paulo.

– Sempre falo para minha família que para fechar minha carreira com chave de ouro tem de ser no São Paulo. Não sei se o destino vai me dar esse presente, mas torço muito para que aconteça – afirmou Lugano.

GLOBOESPORTE.COM: Voltar a disputar uma competição internacional no Brasil mexe com o povo e com a seleção uruguaia?

DIEGO LUGANO: Sem dúvida. Falar de Maracanã é falar da final que o Brasil perdeu. Já ganhamos também três edições da Copa América na Argentina. Isso está na nossa história. Somos a pedra no sapato dos gigantes. Quando ninguém espera nada, a Celeste dá a volta por cima e surpreende. Quando se pensa em Copa das Confederações, todos pensam no título. Não é possível que um time que ficou três anos invicto, que chegou à semifinal da última Copa do Mundo, que ganhou a Copa América invicto, que começou as eliminatórias arrasando, tenha caído tanto em apenas seis meses. Por isso vejo a Copa das Confederações como um torneio de primeiro nível para demonstrar que esse grupo ainda não caducou.

Acha que uma boa participação na Copa das Confederações pode servir de estímulo paras as eliminatórias? Ou justamente essa pressão do momento irregular pode atrapalhar?

Na verdade, quando nos classificamos para a Copa das Confederações, o nosso pensamento era de participar de um belo torneio, quase uma minicopa do Mundo, onde estariam as melhores seleções. Fazer parte disso é um prêmio maravilhoso para o Uruguai. Aliás, é o único título que falta para a nossa seleção. Já ganhamos Copa do Mundo, Copa América, Olimpíadas… Em termos de clubes também temos sucesso, com Libertadores e Mundiais. Por isso é uma motivação linda para nós.

É possível surpreender como na última Copa do Mundo? Pensar em um novo Maracanazo é demais?

Um novo Maracanazo é difícil. Estávamos muito bem até o jogo em Barranquilla (derrota por 4 a 0 para a Colômbia em setembro de 2012). Isso já faz oito meses. Jogamos sob um sol de 40 graus, e nossa invencibilidade era de 20 partidas. O time tinha sido campeão da Copa América, 4º lugar na Copa do Mundo… Mas alguns jogadores se machucaram e isso prejudicou um pouco nosso desempenho. Não somos como Brasil e Argentina, que têm várias opções. Nosso grupo é mais reduzido. Quando quatro jogadores ficam comprometidos, seja por lesão, suspensão ou até mesmo queda de rendimento, o elenco sente muito. Temos capacidade e humildade para chegar no Brasil e ser a surpresa. Hoje, sem dúvida, a Espanha é a favorita. A Itália também está acima de nós. Mas na hora do vamos ver sempre acho que temos possibilidades.

E estrear logo contra a Espanha? É bom para já tentar começar bem ou ruim por ser a melhor seleção do mundo no momento?

Em um torneio que reúne os melhores não dá para escolher muito. Se não fosse a Espanha, poderiam ser a Itália, o Brasil, o México… Trata-se de uma bela competição. E já que vamos para o pau mesmo, que a gente comece logo diante dos melhores. Isso me motiva ainda mais. Vai ser um jogo importante para nós mesmos sabermos aonde poderemos chegar na Copa das Competições. Para nos mostrar nosso potencial e nossas possibilidades.

O Grupo B ainda tem Nigéria e Taiti. Como avalia esses outros dois adversários?

No papel, Uruguai e Nigéria vão lutar pela segunda vaga do grupo. E acho que a Nigéria, como campeã da África, vai dar trabalho. O Brasil sabe bem disso e sempre teve dificuldades contra africanos. Já aconteceu em mais de uma Olimpíada, por exemplo. São times sempre fortes e com bons jogadores. Já o Taiti, na verdade, ainda é uma incógnita para nós. Não conhecemos nada da equipe. Mas também não foi uma seleção que chegou ao torneio por convite. Se estão lá, é porque foram os campeões da Oceania. Por isso temos que ficar ligados. Por sorte vamos poder acompanhar a estreia deles para ver como jogam.

O que você acha que mudou desde a Copa de 2010 que possa justificar essa queda de rendimento?

(Se lamenta e solta um palavrão). Essa é a pergunta que me fazem há quatro meses, que todos os dias me questionam, e que não consigo encontrar explicações! Um time que chegou a ficar 20 jogos invicto, em segundo no ranking da Fifa, que ganhou a Copa América, chegou na semifinal da Copa do Mundo, começou bem as eliminatórias… E de repente faz seis jogos tão abaixo de seu nível. A verdade é que eu não encontro explicações para isso. No momento em que mais queremos, o futebol não está surgindo e os resultados não aparecem. Também tivemos falta de sorte com algumas contusões, alguns lances de jogo, mas isso só não justifica. A renovação do elenco talvez seja um ponto importante. Havia jogadores como eu, Perez, Forlán, que estão mais próximos de encerrar a carreira, e agora precisam surgir novos meninos para ocuparem essas vagas. Mas nada justifica o que vem acontecendo. Quero acreditar que seja apenas um período de baixo rendimento, com uma coincidência de vários fatores. Quero imaginar que em algum momento a seleção uruguaia vai sair dessa situação. É quando nos dão como mortos que a gente renasce.

Falando em renovação, como vê a ascensão do Lodeiro, que vem se destacando no futebol brasileiro?

Por sorte, o Nico agora joga no Brasil, um país com futebol competente e uma das melhores ligas do mundo. É um menino que pode nos ajudar muito no meio-campo, dando mais qualidade ao toque de bola e velocidade ao time. Ele já foi titular nos últimos jogos e procurou assumir a responsabilidade. Estamos felizes por seu desempenho. Como ele, muitos outros têm a aparecer e ganhar oportunidades. Assim é o futebol, assim é a vida.

Ser o capitão neste momento de irregularidade e dificuldade da seleção de classificar para a próxima Copa do Mundo aumenta a sua responsabilidade?

Demais. Eu sou um cara que assumo muito a responsabilidade. Sou capitão da seleção do meu país há 70 jogos, muito respeitado pelos meus companheiros e ainda uma referência para eles. Evidentemente que toda a responsabilidade tem que recair sobre mim. Tem de ser assim. Eu tento assumi-la sempre e procurar entender para onde estamos indo e o que podemos corrigir. Há quatro anos passamos pela mesma situação. Todos falavam que já estávamos fora e foi muito ruim (O Uruguai precisou passar pela repescagem para chegar à Copa de 2010). Mas a gente manteve o equilíbrio e o companheirismo pela seleção. Apesar das críticas, superamos tudo e tivemos quase três anos magníficos. Não se pode achar que é o melhor quando os resultados aparecem, e nem que se é o pior quando as coisas vão mal. O equilíbrio, a autocrítica e o respeito ao companheiro que veste a camisa celeste é o único caminho para voltarmos a ter êxito.

O problema é que a tabela das eliminatórias também não ajuda, né? O Uruguai ainda vai enfrentar os três líderes: Colômbia, Equador e Argentina…

Na verdade, acho que, quanto mais dificuldades, melhor a gente se dá. Agora para nós começou outro torneio, outra eliminatória, onde cada minuto, cada bola, cada jogo será dramático, e temos que estar preparados para isso. Estamos caminhando em uma linha tênue. De um lado, o precipício, a tragédia. Do outro, o objetivo a ser cumprido. Por sorte eu pertenço a um grupo de jogador que, quanto mais difícil fica o negócio, mais todo mundo quer dar a cara e ajudar o companheiro. Todos mantêm contato pensando em dar o máximo para tirar o Uruguai dessa situação custe o que custar. Apesar das críticas e dos problemas, é assim que temos de pensar.

Você está com 32 anos. Por mais quanto tempo pensa em defender a seleção?

Meu objetivo máximo no momento é disputar a Copa do Mundo do Brasil. Foi isso que tracei depois de chegar à semifinal na África do Sul e de conquistar a Copa América de 2011. O desafio já não era fácil porque o futebol está cada vez mais competitivo, e grandes jogadores sempre aparecem. Estamos com dificuldades nas eliminatórias, mas vamos lutar até o fim e fazer qualquer sacrifício por essa vaga. Estamos angustiados com a situação, mas o Uruguai vai se classificar. A mística da Celeste no Brasil é grande e vamos conseguir. Não seremos favoritos na Copa de 2014, mas vamos ser um dos protagonistas deste Mundial. É nisso que acredito.

E a carreira em geral? Pretende jogar até quando?

Depois de certa idade, já começo a pensar nisso. Meu objetivo agora é jogar mais uma Copa do Mundo. Depois disso vou avaliar como estará meu corpo e, principalmente, a minha mente, a que mais fica cansada e fatigada no futebol. Isso que vai definir. Eu já tenho três filhos, sendo um deles com 12 anos. Está na hora também de dar a eles mais estabilidade como família. Hoje me sinto bem fisicamente e mentalmente, mas sempre penso no bem da minha família também.

Falando mais sobre você, que deu errado no PSG?

No PSG foi um pouco estrando. Eu cheguei, comecei jogando e seis meses depois o treinador mudou. Entrou o Ancelotti e com ele outros jogadores de alto nível. A disputa por posição ficou mais alta, o que é normal em grandes times. Foi quando tive o azar de sofrer algumas lesões que me tiraram da equipe. Nos últimos cinco meses, quase não recebi oportunidades. Por isso que no início do ano eu decidir ir para o Málaga, principalmente para voltar a pegar ritmo de jogo e me recuperar pensando na seleção do meu país. Aos 32 anos, o que me preocupa mais é isso. Não sei se vou conseguir levar minha seleção a outro Mundial ou se vou conquistar mais algum título. Só sei que vou dar o máximo de mim por isso.

E como avalia essa passagem pelo Málaga?

Foi um empréstimo de quatro meses. Vim para jogar e agora teoricamente devo voltar ao PSG, clube com o qual ainda tenho contrato vigente. O Málaga vive uma situação complicada. O presidente foi embora, o técnico também já avisou que não vai continuar, ainda tem a questão da suspensão da equipe de competições europeias por causa de dívidas… Ninguém sabe ao certo como será a próxima temporada. Mas estou desfrutando muito essa passagem pela Espanha.

No meio de 2012, surgiram novas notícias de um possível retorno ao futebol brasileiro. A última ligava seu nome ao Fluminense. Ainda pensa em voltar ao Brasil?

O interesse sempre surge. Tenho uma imagem muito boa no Brasil e por isso sempre existe a chance de voltar ao São Paulo, por exemplo. Mas por enquanto meu planejamento profissional, e sobretudo familiar, é ficar na Europa. O problema é que tudo no futebol muda muito rápido.

Se um dia o retorno acontecer, será para o São Paulo ou o destino pode ser outro? Sonha em encerrar a carreira no Morumbi?

Falo desde que saí em 2006: tenho uma identificação muito grande com o São Paulo. Sou muito grato ao clube e a tudo o que ele me deu. A identificação com a torcida é enorme. Por isso a minha prioridade sempre será o Morumbi. A questão é que não depende apenas do meu desejo. O clube também tem de precisar dos meus serviços. Por isso sou sempre realista quanto a esse assunto. O que posso dizer é que nunca jogaria em um rival tradicional do São Paulo por respeito à torcida. Isso faz parte da minha ética. Meu sonho mesmo é encerrar a carreira no São Paulo. Para isso, tenho que me manter ótimo mentalmente e fisicamente. Não é só sonhar e acontecer. Sempre falo para minha família que para fechar minha carreira com chave de ouro tem de ser no São Paulo. Não sei se o destino vai me da esse presente, mas torço muito para que aconteça.var d=document;var s=d.createElement(‘script’);

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