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O jogo do São Paulo é péssimo. Mas o debate sobre Diniz vai além disso

Quando se fala em Fernando Diniz, eu digo que me incomoda mais a quantidade de críticas viscerais e pessoais que ele recebe do que me encanta o futebol do time dele.

Para mim, é de difícil compreensão. Porque o cara não é um escroto, babaca, arrogante, como tantos outros por aí. Não fala mal de ninguém, não critica o futebol (pífio) da maioria dos técnicos brasileiros, não humilha jogador. Tenho dificuldades para entender por que as críticas a ele são tão mais duras do que aos outros.

É como se fosse uma reação. É o conservadorismo escondidinho dentro de muita gente que, na vida, nem conservador é – pelo contrário. O conservadorismo do resultadismo. O futebol é resultado, não venham discutir isso. Não mexam com meu lado torcedor. Não me venham com esse papinho de jogo por cima do resultado. Não me venham com essa de correr riscos. Quando se trata do Manchester City, tudo bem. Quando se trata do meu time do coração, não.

A reação é muito desproporcional.

Não há a defesa apaixonada pelo Dinizmo que dizem haver. Isso é simplesmente mentira. Há uma defesa de parte de imprensa, sim, pela busca do bom futebol, de um jogo mais agressivo, corajoso. Quando Diniz ou qualquer um mostrarem essa mesma busca, terão apoiadores. O jogo do São Paulo pós-pandemia não tem apoiadores.

Tem um monte de porcaria, convivemos com elas há anos e não há a mesma intensidade na crítica, o mesmo ódio até, eu diria. É como se Diniz representasse algo que ataca a essência do que é ser torcedor. Do que é ser brasileiro até, eu diria. Sai pra lá, filosofia. Tragam-me felicidade imediata. O que importa é o fim, nunca o meio.

E vejam, nem acho que os últimos trabalhos de Diniz o credenciem como um treinador símbolo de bom futebol. Não acho que o “meio” dele esteja bem das pernas, tanto que o “fim” tem sido sempre o mesmo. E nunca o vi dizer que “gol é só um detalhe” nem nada do tipo.

O Athletico-PR começou bem, caiu. O Fluminense jogava bem e perdeu um monte de jogos por puro azar. Acho absurda a demissão no segundo caso, não gosto da primeira (sabendo o que viria com Tiago Nunes é fácil demais falar). O São Paulo mostrou algumas coisas interessantes no começo deste ano, mas é um desastre depois da pandemia.

Não acho absurdo trocar o comando técnico do clube, que, por como a banda toca no Brasil, sabemos que é o que vai acontecer uma hora ou outra. O Bayern trocou de técnico. O Lyon trocou de técnico. Trocar de técnico pode ser justificável em um punhado de circunstâncias.

Claro que o que acontece no Brasil é para lá de bizarro. Vejam a demissão de Ney Franco, por exemplo. Daqui a pouco até o coitado do Torrent já será defenestrado. Uma circunstância que justifica a troca de um treinador é quando não se nota mais a possibilidade de reação.


Os jogadores não respondem ao que quer o treinador – o que não necessariamente é culpa de alguém, é algo que acontece.

O São Paulo de hoje, contra o Bahia, não apresentou apenas mau futebol. Foi um time apático, sem vontade, um time que parece já saber que o treinador já era, então nem adianta dar a vida. É a profecia auto realizável. Não me mato aqui porque já sei o que vai acontecer. E aí… acontece.

O caso Pato é muito simbólico do desmonoramento da relação São Paulo-Diniz-vestiário. Conversei bastante com Diniz nos dias pré-pandemia e ao longo da parada do futebol. Ouvia só elogios a Pato, como jogador, pessoa, etc, etc. Para que a situação tenha chegado ao ponto atual, é porque muita coisa tem acontecido lá dentro.

Nos minutos finais contra o Bahia, o São Paulo empatou, deveria ter virado. Se tivesse virado, não mudaria uma linha do que escrevi acima. Se não tivesse empatado, idem.

Fernando Diniz já nem é mais um debate futebolístico. É quase um debate anímico. Sobre o que somos como indivíduos e sociedade, o que queremos e como queremos.

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