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“Pensei em desistir”, diz Léo sobre caso de racismo na carreira

O lateral-esquerdo/zagueiro Léo, do São Paulo, tem semelhanças físicas com Pelé, o Rei do Futebol, quando jovem. Em um determinado momento da carreira o jogador do Tricolor até adotou o nome “Léo Pelé”.

A semelhança foi notada pelo próprio Rei no dia em que ele encontrou o então garoto Léo em uma escolinha de futebol em Santos.

“Joguei no time do Pelé. A gente estava em uma sala, todo mundo na expectativa do Pelé ir. Eu estava feliz, eu ia ver o Pelé, uma referência mundial. Eu fiquei em pé, a galera sentada e eu fiquei envergonhado. Ai passou os minutos e quem entra? O Rei. Ele olhou para mim, olhou para a galera e só de olhar todo mundo riu. E ele: “Não é possível, cara. Esse menino é meu filho” (risos)”, afirmou Léo em entrevista à SPFCTV.

O episódio vivido com Pelé foi algo inesquecível e feliz para Léo. No entanto, nem sempre o jogador teve a sorte de passar apenas por momentos de alegria. O fato de ser negro já causou constrangimento e frustração ao atleta.

Ainda jovem, no início da carreira, Léo foi vítima de racismo em um shopping e foi mandado embora apenas por ser negro. O caso nunca saiu da memória do jogador, que pensou até em desistir da carreira. Ele recordou o momento e desabafou:

“Eu estava fugindo disso, mas eu tenho que falar. Hoje está muito nítido… Eu passei por um preconceito que partiu meu coração. Ali eu pensei em desistir. Foi a primeira vez que pensei: “Não dá mais para mim”. Eu não aceito o racismo nunca, nunca vou aceitar isso. Eu entrei em um shopping e eu fui mandado embora por causa da minha cor. Isso não existe. O cara falou: “Você está aqui pedindo dinheiro?” E começou a me ofender. Eu era um menino, cara. Como ele ia me expulsar de um shopping? Eu saí dalí, de dentro do shopping e me perguntei o que estava fazendo ali”, contou.


“O preconceito, o racismo, não é de agora, ele é de muito tempo, e muita gente se fechava para isso. Por isso que agora o mundo está vendo, não é de agora. Isso já vem de anos. A cor nunca pode definir o caráter da pessoa. E uma coisa que meu pai, minha mãe e meus irmãos me ensinaram foi ter caráter. Aquilo ali eu não desejo para ninguém, foi a maior vergonha da minha vida. Você entrar em um local público e as pessoas te olhando, o rapaz te expulsar por causa do preconceito. Eu saí envergonhado”, completou.

Léo é mais um jogador do São Paulo a levantar a bandeira contra o racismo. Durante a pandemia, o volante Tchê Tchê foi voz ativa na causa e, inclusive, participou de manifestações a favor da causa.

“Eu mostro minha indignação, porque eu sou negro, tenho que defender aquilo que eu sou. Eu tenho orgulho de ser negro e pronto. Se você pegar o presidente (dos EUA) foi exemplo, e negro. O melhor jogador de todos os tempos é negro. Os caras do basquete são negros. E por que o negro não pode vencer na vida? Por que o negro é nojento? Quem deveria ser exemplo para muitas pessoas e essas pessoas não valorizam por causa da cor. Isso é uma vergonha para mim”, disse Léo.

“Eu até aproveito essa entrevista para que as pessoas abracem essa causa contra o racismo”, finalizou.

No São Paulo desde 2019, Léo ganhou sequência no time titular de Fernando Diniz, mas voltou ao banco de reservas nos últimos jogos para a entrada de Bruno Alves na zaga.

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