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São Paulo humilha corinthians morumbi

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Cueva fez o que quis. E foi o grande personagem na goleada do São Paulo contra o Corinthians. Marcou um gol de cavadinha e deu três assistências. 4 a 0 foi até muito pouco. O time de Ricardo Gomes teve a sua partida mais fácil no Campeonato Brasileiro. A equipe de Oswaldo de Oliveira não teve alma, estratégia, gana. Foi uma participação vexatória e que coloca em risco sua participação na Libertadores da América. O clube mergulha na crise.

Já os são paulinos comemoravam empolgados. Chegaram aos 45 pontos e escaparam de vez da ameaça do rebaixamento.

“Faltou tudo. Time não jogou bem. Até o primeiro tempo foi equilibrado. São Paulo teve domínio no segundo tempo. Puta que o pariu. Perder assim um clássico chateia muito. Porra, é foda. Vamos ter que melhorar mais para nos recuperar”, desabafava e xingava Cássio. O goleiro era o retrato da falta de controle emocional que domina o time na reta final do Brasileiro. “O jogo foi o espelho do que jogamos hoje”, resumia, irritadíssimo, Fagner.

“Temos de pedir desculpas aos torcedores”, admitia Willians. Poderia começar por ele. O volante era o encarregado de marcar o peruano Cueva. E ele deu todo o espaço para o meia destruir o frágil esquema corintiano.

“Eu sempre frisei que o São Paulo é uma equipe muito forte. Muitas pessoas desconfiam. Nós, no dia a dia, sabemos disso. Acredito que fizemos bons jogos. Flamengo, Santos… Infelizmente a vitória não veio. Se tivesse um pouco mais de atenção, teríamos brigado por outro objetivo”, dizia, animado, até demais, Rodrigo Caio.

O clássico misturou dois clubes que fazem uma temporada lamentável, decepcionante. São Paulo e Corinthians não ganharam título algum em 2016. A equipe de Ricardo Gomes, só agora, faltando quatro rodadas para o Brasileiro acabar, pode declarar que escapou do rebaixamento. O Corinthians está deixando escapar a vaga para a Libertadores, mergulhando em uma decadência previsível. Desde a contratação do ultrapassado Oswaldo de Oliveira.

O que decidiu a partida foi o espírito, a competitividade, a determinação, a responsabilidade, a vontade. O respeito pelas cores do clube que defende. Porque os dois times são igualmente medíocres tecnicamente. São duas equipes que despencaram durante toda a temporada. Deram vexame atrás de vexame.

Ricardo Gomes é um treinador que luta contra as próprias limitações físicas, depois de dois AVCs. Mas taticamente se mostrou confuso, incoerente, sem convição desde que foi contratado. Deixou o Botafogo na zona do rebaixamento. E foi enorme decepção, inclusive para o seu maior e único defensor, o inseguro Leco. As chances do treinador carioca prosseguir em 2017 são praticamente nulas. A pressão é enorme para que Rogério Ceni assuma a equipe.

Oswaldo de Oliveira é tão fraco, mas tão fraco que conseguiu isolar politicamente o presidente Roberto de Andrade. Sua estranha contratação, largou o Sport à beira da zona do rebaixamento, não tem explicação para quem acompanha futebol.

O mentor de Roberto de Andrade, Andrés Sanchez, percebeu a insana decisão do presidente. E o abandonou. Levou o diretor, Eduardo Ferreira. Impediu que Fernando Alba assumisse o cargo. O jornalista Flávio Adauto, crítico de Roberto de Andrade, e que nunca trabalhou com futebol, ficou com o cargo.

Andrés se juntou a Paulo Garcia, importante membro da oposição. E há até a possibilidade do impeachment de Roberto de Andrade, por ter assinado documentos como presidente, dois dias antes da eleição, o que é um absurdo.

Oswaldo de Oliveira foi a gota d’água que implodiu o ambiente no Parque São Jorge. Ele é um treinador que vinha em uma franca decadência. Só assumiu o cargo no Corinthians porque é amigo pessoal de Roberto de Andrade. Esse é o seu maior trunfo. O que mostra o amadorismo que o clube mergulhou.

Como era de se esperar, ele não assumiu a responsabilidade pela goleada que o Corinthians sofreu hoje no Morumbi.

“Fizemos um primeiro tempo razoável, poderíamos ter empatado no fim e voltado com mais confiança. Infelizmente não conseguimos e depois não conseguimos controlar o jogo. É logico que temos erros para corrigir, essa equipe que começou o jogo, tirando o goleiro, foi a mesma que começou contra o Flamengo e fez uma partida muito boa. Hoje não conseguiu”, dizia, com calma, como se nada demais tivesse acontecido.

O Corinthians foi o retrato do seu treinador no clássico. Desinteressado, sem gana, pessimamente organizado, sem ambição. O São Paulo pressionou, não queria apenas ganhar, fugir do rebaixamento, mas usar o seu maior rival para ganhar moral para o resto do Brasileiro.

Oswaldo fez o básico montou seu time encolhido, com duas linhas de quatro e cinco. Apenas Guilherme flutuava, sem precisar marcar. Só que as linhas deixavam muito espaço. Os jogadores do São Paulo partiram para a marcação pressão desde o início do jogo. Usando as laterais, as infiltrações.

Fagner precipitou o desastre. Cometeu pênalti desnecessário em Kelvin. Cueva pegou a bola e cobrou com personalidade, dando uma cavadinha humilhante em Cássio. São Paulo 1 a 0, aos 14 minutos do primeiro tempo. O Corinthians entrou em parafuso. Willians era o encarregado de marcar Cueva. Só que deu muito espaço ao peruano. Ele destruiu o jogo.

No segundo tempo, Cueva deu três assistências para os gols de David Neres, Chaves e Luiz Araújo. 4 a 0 e a torcida do São Paulo gritando olé, fazendo uma festa com a humilhação do rival.

Oswaldo de Oliveira ainda teve a coragem de dar a seguinte resposta.

“Não achei que houve liberdade a ele (Cueva). Ele é um jogador desenvolto, procuramos marcá-lo, até como aconteceu com o Diego do Flamengo. Não conseguimos de forma efetiva como foi da outra vez”, disse, de maneira desinteressada, tranquila.

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